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Queda de pelos: quando se preocupar?

“(...) é importante salientar que nem sempre a causa de problemas na pelagem estará diretamente ligada à pele ou ao pelo”

Por Patrícia Nuñez Bastos de Souza

            Diariamente nossos cães perdem uma grande quantidade de pelos. É um mecanismo fisiológico (normal), pois, da mesma forma que eles caem, novos pelos nascem. Durante este mecanismo a pelagem do animal não é afetada, pois é feita uma substituição contínua. A queda acentuada de pelos é normal pelo menos duas vezes ao ano e está ligada às alterações de temperatura. A textura e o comprimento da pelagem se alteram, conforme as diferentes estações do ano: normalmente no verão ela será mais rala e no inverno mais densa. A coloração também pode mudar um pouco, consistindo em um mecanismo natural de adaptação dos animais às diferentes temperaturas. Até aí, nada demais, mesmo que pela casa o aspirador de pó trabalhe mais para tirar os pelos do tapete. No entanto, quando o proprietário deve começar a se preocupar e como fazer para diferenciar uma queda de pelo normal, de uma que pode sinalizar problemas de saúde?
            Queixas dermatológicas constituem a maior causa de consultas de médicos veterinários, mas é importante salientar que nem sempre a causa de problemas na pelagem estará diretamente ligada à pele ou ao pelo. Normalmente a queda de pelos e a alopecia (ausência de pelos) podem demonstrar um problema restrito à pele, mas também pode ser consequência de um problema orgânico, onde exista comprometimento funcional de órgãos ou glândulas. Vejamos:

  1. Um pelo feio, sem brilho, áspero e com falhas pode ser causado, por exemplo, por parasitas (como piolhos, pulgas ou carrapatos). Nestes casos, além de uma queda maior, há também uma destruição dos pelos do corpo, como a que ocorre em casos de micoses e sarnas, que são doenças muito comuns e frequentemente estão associadas ao prurido (coceira).
  2. Desordens hormonais são causas bem comuns que ocasionam alterações de pele e pelos. A mais comum é o hipotireoidismo, frequente em algumas raças e também os distúrbios das adrenais como o hiperadrenocorticismo.
  3. Doenças sistêmicas como a doença do carrapato, anemias ou infecções também podem ocasionar a queda acentuada de pelos.
  4. É comum fêmeas na época do pós-parto e amamentação também perderem mais pelos, pois as energias são concentradas para a alimentação de seus filhotes, e essa é uma queixa bastante comum entre criadores de cães e gatos. Podem ocorrer também alterações na época do cio.
  5. Queda de pelos acentuada também é frequente em animais que sofreram estresse agudo, como, por exemplo, mudanças, viagens, perda do dono ou outras alterações que interfiram no comportamento de seu animal.
  6. Alimentação desbalanceada, alergias alimentares ou de contato também podem ocasionar alterações nos pelos.

      Para um pelo bonito, lembre-se que seu cão deve ser escovado diariamente e também deve pegar sol. Banhos em excesso não fazem bem, assim como perfumes. Uma alimentação balanceada, de acordo com a raça e a idade de seu animal, também ajuda muito, assim como a vermifugação rotineira e o controle de parasitas externos.

     Se a queda de pelos não vem acompanhada de mais nenhum sintoma, não há coceira e a pelagem de seu cão está bonita, provavelmente você não precisa se preocupar com seu peludo. Mas se há uma queda intensa, com áreas de pouco pelo, pelagem não uniforme e descamação ou outras alterações, você deve procurar imediatamente um veterinário para um diagnóstico e iniciar o tratamento adequado.

Patrícia Nuñez Bastos de Souza é médica veterinária.
patriciaveterinaria@gmail.com

 

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